24 maio 2007
Vazio

Quanto tempo faz que eu não sinto essa necessidade de escrever: É como sentir eletricidade percorrendo o corpo, como se eu realmente tivesse que escrever, não sei quantos de você já sentiram isso, é mais ou menos se você tivesse descoberto algo único, que ninguém jamais pensou, mesmo sendo um assunto sem importância, acho que é assim que se sente um viciado em heroína quando fica muito tempo sem a droga e finalmente sente a heroína entrando em suas veias, correndo pelo seu corpo, liberando a sua carga no sistema nervoso, dando aquela euforia inicial antes da mente sucumbir ao veneno.
Estranho eu me animar tanto pra falar sobre um tema não alegre, nem triste, simplesmente o vazio, o vazio que todos temos dentro de nós, aquele canto do cérebro (alma, coração acredite no que quiser) que quando nos deitamos em nossas camas, naquele momento em que não estamos acordados, mas também ainda não desfrutamos o sono dos justos, ele se mostra e você sabe exatamente o que é, mas esta dormindo demais para se lembrar quando acordar na manhã seguinte. Cada qual tem seu vazio, falta de amor, falta de amigos, um vazio que um morto deixou, um vazio não sei do que. Essa é a hora que você me diz: “Eu não tenho vazio de nada, minha vida é linda e cor de rosa” e é nessa hora que eu respondo “Você é um mentiroso filho da puta ou burro demais para se tocar das coisas”. Não importa se você tenha tudo, todo nunca é demais para o ser humano e então inventamos coisas para suprir o vazio, histórias, filmes, drogas, terapias, a culpa é da família, não, ele teve uma infância difícil, não, o emprego dela é uma merda e assim eu poderia descrever até o final dos tempos.
Tirando as pessoas que tem fé cega (pode ser qualquer coisa, deus, Diana, buda, elefantes coloridos), a maioria das pessoas simplesmente não sabe o que vai acontecer depois, então eles procuram coisas para agora, algo para se agarrar com todas as forças para no final dizer “É, minha vida valeu a pena”. Mas será que valeu?
E se aquelas últimas palavras de Eistein (aquelas que ele falou em alemão, mas a enfermeira não falava) foram “Eu criei a porra da teoria da relatividade, mas estou morrendo numa cama de hospital sozinho e com o mesmo sentimento de vazio que me acompanhou a vida inteira e que eu vou morrer sem saber o que é”?
Cite um dos imortais da ABL que já morreu sem olhar no google...é ela não era tão imortal assim. Ou seja, se ela tentou suprir o vazio sabendo que seria lembrada pra sempre, ela falhou miseravelmente.
Claro que existem maneiras de esquecer esse vazio, eu mesmo já citei algumas no começo do texto, mas e para acabar de vez com esse vazio? O que devemos fazer?
Ótima pergunta, se eu tivesse a resposta eu venderia para o Silvio Santos pra ele dar de prêmio no raspe aqui da tele-sena de natal. E se você descobrir, não perca tempo, escreva um livro de auto ajuda e fique rico. Ou você pode entrar numa dessas seitas nova era, comer um cogumelo, ficar drogado, falar que viu seu animal totem...espera, isso ai também seria só uma tentativa de tapar o buraco.

 
posted by Gaijin   5/24/2007 12:57:00 PM   5 Comentário(s)
 
 
 
Felipe, que atualmente esta na Irlanda, ultimamente anda se sentindo como se fosse um personagem daqueles livro-jogos, o problema é que não da pra roubar e marcar a pagina para voltar se der alguma coisa errada ou eu não gostar do resultado. E não me julgue, voce tambem fazia isso!
  
 
  
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