18 janeiro 2007
Continuando a história

Seu rosto angelical estava manchado com sua lagrimas e isso a conferia uma beleza pura, sua pele alva fazia com que seus olhos verdes fossem duas esmeraldas envoltas em seda branca.
- Claro minha filha, essa é a casa do senhor e eu humildemente estou aqui para absolver os pecados da humanidade pela mão de Deus, por favor, deixe-me fazer os preparativos para a sua confissão.
Depois de adentrar o confessório ele chamou a mulher para que o ritual tivesse inicio.
- Quando foi sua ultima confissão?
- Uma semana padre, faz uma semana que eu não adentro a casa de Deus.
- E quais pecados você teria para confessar?
Domenico desejou nunca ter feito essa pergunta, enquanto a mulher falava, o padre ouvia coisas que jamais acreditou ser possível, aquela mulher deve ter sido de uma linhagem sobrevivente à Sodoma e Gomorra, nada do que ensinaram no seminário podia prepará-lo para ouvi ruma confissão assim.
- Você se arrepende de tudo minha filha? Numa calma apenas possível por orações silenciosas.
Nem mesmo a respiração da mulher poderia ser ouvida.
- Por favor responda minha filha, você se arrepende?
O padre imaginou ter ouvido uma leve risada.
Foi quando a mulher levantou e entrou na área do confessionário destinada aos padres, seus olhos lívidos tinham um fogo que Domenico jamais tinha visto, era como se tivesse possuída, um sorriso malicioso corria por seus lábios, mostrando seus dentes brancos, seu corpo arquejando numa respiração entrecortada. – Eu preciso da punição da carne padre, eu preciso ser lavada com meu sangue para ser purificada.
Esse último comentário foi ignorado pelo padre Domenico.
- Você está bem minha filha? Lute contra isso, o demônio nada pode fazer se você tiver Deus no seu coração.
Falando isso ele a agarrou pelos braços para evitam que a mulher entrasse no confessionário, nisso o olhar da mulher voltou ao normal e ela caiu em prantos.
- Padre o que está acontecendo comigo, o que o senhor está fazendo, me ajude.
- Eu vou lhe ajudar minha filha, pois Jesus morreu na cruz para que todos nós ficássemos livres de pecado. Por favor, me acompanhe, vou colocá-la numa cela, você ficara segura lá dentro.
Os dois andaram lado a lado, o padre ajudando a mulher, pois ela não parecia em condições de andar sozinha, era como se estivesse esgotada, Domenico já ouvirá falar disso, em caso de possessões demoníacas, quando o demônio abandonava o corpo da vitima, ela ficava exaurida.
A cela em si era pobre e mal cuidada, quase ninguém a usava, estava suja e a pouca luz do sol que entrava formava um quadrado no chão, bem acima das correntes presas firmemente no centro da cela. Ele deitou a mulher numa cama de palha e saiu para fazer os preparativos daquilo que ele já ouvira falar, mas que nunca tinha feito e um calafrio percorreu sua espinha. O padre fez o sinal da cruz.
O sol já estava se pondo quando Domenico se dirigia para a cela daquela mulher, um grande círculo vermelho se via no horizonte, vermelho como o sangue que escorreu das costas da mulher, vermelho com seus cabelos.

 
posted by Gaijin   1/18/2007 02:05:00 AM   7 Comentário(s)
 
 
 
Felipe, que atualmente esta na Irlanda, ultimamente anda se sentindo como se fosse um personagem daqueles livro-jogos, o problema é que não da pra roubar e marcar a pagina para voltar se der alguma coisa errada ou eu não gostar do resultado. E não me julgue, voce tambem fazia isso!
  
 
  
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