Sei que devia ter feito um post de ano novo e natal desejando paz ou qualquer coisa assim, mas como não fiz, vocês terão de arrumar paz por vocês mesmo. Mais uma vez não to com ideias novas, então fuçando nas minhas pastam antigas eu achei mais uma história que eu escrevi, mas essa tem um final já escrito. Vou dividi-la para não ficar chato de ler.
“Deus daí-me força e não me abandone nessa hora difícil”. Com essas palavras o padre Domenico termina de se preparar para um dos seus maiores desafios desde que foi ordenado padre, mas desde sempre soube que Deus tinha um plano para ele, sua infância foi passada toda num convento e ate então Deus nunca o havia abandonado, mas parecia que sua fé estava sendo posta a prova naquele dia. Numa cela imunda e embolorada estava aquela que parecia abalar a fé do padre, apenas descrevê-la já podia ser considerado um ato pecaminoso, sua pele alva contrastava com seu cabelo vermelho como o sangue, o mesmo sangue que escorria de suas costas nesse exato momento, três longos cortes na vertical que foram feitos para purificar a carne dos pensamentos pecaminosos e também pela acusação de bruxaria. - Você está pronta para confessar seus pecados minha filha? – perguntou o padre. Ela simplesmente olhou para o padre, não era o olhar de medo que todos tinham aquela hora, era um olhar desafiador, não havia submissão em seus olhos, pelo contrario, havia um fogo que a tornava quase selvagem, algo que incomodava e muito o padre Domenico. Quando ele chegou, ela já se encontrava presa por correntes e ajoelhada de costas para a porta. Devido ao silencio o padre repetiu: - Você está pronta para confessar seus pecados minha filha? Mais uma vez o silencio reinou na cela. - Pelo poder investido a minha pelo Santo Padre, eu estou aqui para livrar-lhe de seus pecados, flagelando sua carne para que seu pensamento possa mais uma vez ser puro e toda e qualquer marca de bruxaria seja lavada de seu corpo e mente. Domenico levantou o chicote e aplicou-lhe a primeira chibatada, ele nunca gostou de aplicar esse tipo de penitencia, mas sabia que era necessária. Assim que o chicote rasgou a carne da mulher, ela soltou um gemido, mas não um gemido de dor, foi algo sutil, como um gemido de prazer, algo que era inaceitável numa situação como essa. O padre aplicou a segunda chicotada. A mulher arqueou as costas, como se quisesse que o chicote acertasse com mais força e novamente gemeu. O padre aplicou a terceira e ultima chibatada. Um outro suspiro que não condizia com a situação, ela parecia estar gostando disso. O padre ficou perplexo e foi encarar a mulher de frente. Domenico fez o sinal da cruz perante a cena que viu. A mulher parecia ter mordido o lábio, um filete de sangue escorria de sua boca, um leve sorriso de prazer percorria seu rosto emoldurado pelo cabelo vermelho, seus olhos verdes pareciam implorar por mais, deixando o padre estarrecido. Depois de repassar passar mentalmente o que havia ocorrido a menos de uma hora, padre Domenico voltou a si: “Deus daí-me forças” – repetiu o padre terminando sua suplica. Com passos lentos e decididos ele voltava para a cela da mulher que agora habitava seus pensamentos, o som de seus passos ecoando no corredor vazio lembrando da primeira vez que a mulher cruzou a porta da igreja. - “Padre, eu preciso de ajuda, eu pequei contra Deus em toda a sua plenitude e deixei minha mente se transformar na morada do demônio”.
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